Sunday, August 20, 2006

Camisa Azul e Camisa Verde: "At Last"

- Rapaz... você vai passar uma semana sem comer direito, só comendo “pasta”, ou seja, sorvete, sopa, iogurte, sem esforço o que é muito importante, tanto pra recuperação como pelos pontos que foi dado na sua boca. Tudo bem? – respondi com a boca dormente ainda.
- Claro, ficarei tranquilo. – na minha cabeça esse processo dos pontos era o mais tranqüilo de passar, era só relaxar, comer um sorvetizinho, uma sopinha, enfim que ia ser tudo bem.
Então depois da luta e instruções voltava pra casa, com o pensamento positivo, mas como dizem “pra tudo tem um preço”, comecei a perceber uma quantia exagerada de sangue na boca, isso me fez lembrar que no dente de cima estava aberto, o sangue descia tranquilamente, todo serelepe, então quando o carro parou, abri a porta da carro e cuspi o sangue acumulado na minha boca, quando fiz isso, olhei para o asfalto ainda quente do calor do dia e vi, aquele sangue no asfalto, era uma laminha da sangue, fiquei impressionado com a quantia. Durante o caminho o sangue voltava a acumular, e estava tranquilo com o sangue correndo, mais uma vez tive um pensamento sacana, que era: deixar acumular o sangue na minha boca e cuspir uma lama, deixar uma lama de sangue em algum lugar, foi quando minha mãe falou:
- Meu filho, vamo passar na padaria e comprar o sorvete logo, não é? – respondi.
- sim, claro, comprar logo. – assim que chegar em casa, tomo o sorvete [sorvete se toma, se come ou se bebe? É uma pergunta pertinente. Nada haver com o texto também.] Assim que paramos na padaria, ao lado dela, dei aquela cuspida, olhei pra ela com orgulho, lógico que um orgulho perverso, vi ela ali no chão, poça de sangue, devia estar bem quentinho ainda, continuava sangrando e eu continuava cuspindo, liguei o rádio para escutar uma música qualquer, aliviar a tensão, quando minha mãe chega com dois potes de sorvete, um de “chicabom” e o outro de “napolitano”, melhores sabores, e ela ainda trouxe uma garrafinha de iogurte Ninho, o Solei, com soja, muito bom também.
Chego em casa, com o sangue descendo ainda, o que antes foi duma diversãozinha para mim, se tornou verdadeiramente um pé no saco, me levantando direto pra cuspir, toda hora e todo instante, aquele incomodo, não precisa dizer que é chato, incomodo já é uma chatice, então decidi tomar uma tigela de sorvete, fui até a cozinha me servir do sorvete, chegando lá, o primeiro feito a se fazer era pegar uma tigela, percebi que as tigelas eram tigelinhas, não dava pra ficar comendo nelas na situação que me deparava, ia ficar me levantando pra me servir do sorvete, o mesmo tanto de ir cuspir, então vi aquele copão, um enorme copo que tinha no armário da cozinha, e disse: - é ele mesmo! Colocar logo muito sorvete e ficar tomando(comendo ou bebendo)e assistir televisão, quando tomava percebi um recheio diferente no sorvete, não tinha como me livrar dele, era algo inevitável, tomava sorvete, o napolitano, com recheio de sangue, era um sabor diferente, afinal não costumo tomar sangue, ainda mais fazer combinações com outras “comidas”, assim seguiu, digamos que o sorvete foi o meu jantar, era a única comida que podia no momento, com tanto sorvete tomado chega a hora de dormir. Na hora de dormir surgiu uma preocupação, como vai ficar esse sangramento? Vai parar? Não, não vai… Vai parar de sangrar só por que vou dormir? Claro que não. Sim, e dai? Como vai ser? Isso tudo passava na minha cabeça antes do dormir, coloquei um pote com areia pra cuspir nele e me deitei, acho que devido a perda do sangue, dormi fácil demais, me lembro que acordei pra cuspir o sangue que ainda descia.
Acordo no dia seguinte logo com dois problemas, primeiro, uma fome absurda juntamente com a lembrança de que não posso comer, segundo, um mau hálito insuportável, aquele cheiro de podre, horrível, cheirava mal, então ainda não podendo escova os dentes, dei uma chacoalhada com água, e depois com anti-séptico bucal, na verdade era pra ter usado desinfetante, ou cloro, ácido, algo mais brutal, por que tava ruim a situação, depois de feito isso, fiquei assistindo televisão e mais sorvete, sorvete, sorvete, sorvete, e mais sorvete, quando tomava sorvete percebi que dos dois lados da minha cama tinha cuspidas de sorvete, ri da situação, não acertei uma vez o pote, limpei as cuspidas, pra ficar ao menos apresentável o quarto. O sangue descia do dente extraído havia diminuído, assistindo filmes, lendo uma revistinha, como não podia fazer praticamente nada, fiquei quase que relaxando, quase por que? Porque quando você relaxa, você come, bebi, faz tudo isso tranquilo, e na situação nada disso era bem vindo, isso virou uma rotina, tomava(comia ou bebia) sorvete pra dormir e dormia pra tomar(comer ou beber) sorvete, passaram se os dias, tinha momento que ficava desesperado, todo mundo comendo na boa, comendo um carioquinha com manteiga e refrigerante, dando aquelas mordidas, mordidas com fome. Passado o tempo, entrava no cardápio a velha sopa, algo que não fazia tanta diferença, fazia diferença por ser comida quente, só tomava comida fria, quando terminava o sorvete ou iogurte, a boca ficava fria, era um estado horrível, sentia frio, e fora o enjôo, comecei a ficar enjoado de tanto sorvete, tanto doce, não sou muito fã de doce.
Acordo no domingo, por volta das dez horas da manhã, com a seguinte informação dita sem pena de mim, sem misericórdia: - Hoje vai ter um churrasco aqui em casa, vai vir o pessoal da família, ok? – o que poderia dizer naquele momento, o que iria fazer com relação a isso, ia achar ruim? Claro, isso eu podia, mas não podia impedir a festividade aqui em casa, talvez impediria se fosse o dono dela, mas não sou, então vou curtir a festa do jeito possível. Tomei um banho de manhã, coloquei uma roupa confortável, enquanto me vestia pensei, outro pensamento, falei pra mim mesmo: “só pela sacanagem”, não coloquei a roupa de baixo(famosa cueca), vou ficar no osso como se diz, uma blusa e uma chinelinha havaiana, fiquei no osso mesmo, não quis nem saber, quem vai me impedir disso? Oura mais, todo mundo vai comer carne da boa, comer feijoada deliciosa, comer tudo do bom e do melhor, beijar na boca da namorada, aqui na minha cara e eu vou ficar na coca-cola? Não, não... Se bem que é uma vingança altamente pessoal, altamente minha, só minha, ninguém vai nem saber disso, então fiquei no osso, com o maior prazer, achei super-confortável, aquele ventinho arejando, muito bom, pelo menos nisso fico realizado, tentei não pensar no churrasco, difícil demais, então passou, finalmente passou o churrasco, assim que passou o churrasco a batalha era outra, a do tempo, era só esperar pra comer com força, com fome, queria dar um grito naquele dia, (AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH, finalmente tirar e comer, comer, sou carnívoro AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH, sou capitalista, consumidor, risos), queria gritar isso que está entre parênteses, fui dormir cedo, pra tirar logo de tardezinha os pontos.
Acordei na segunda-feira afim de comer, mas ainda não podia, esperei até o almoço pra alguém me levar pra tirar os pontos, me vesti com uma bermuda verde escuro e uma blusa verde mais claro, cheguei lá sorrindo, acho hoje que cheguei com a boca aberta, talvez não, sou meio abestado, mas nem tanto, cheguei no consultório, já tinha gente lá, mas como o meu problema era só tirar os pontos fui o primeiro, entrei falei com o colega Tarcisio, dentista, o velho procedimento voltava, abre a boca e uma peça de aço entra na minha boca, uma tesourinha desta vez, entra e vem o corte dos pontos, muito desconfortável tirar os pontos, dar uma agonia, é outra chatice, ocorreu tudo tranquilo, tudo pacifico, apesar do desconforto, me levantei feliz da vida com a tirada dos pontos, falei com o Doutor Tarcisio, agradeci tudo que ele fez, todo a força, literalmente, falei com sua assistente e sai do consultório, assim que sai e a porta foi fechada, um silencio, estava cego, tudo branco ou preto, uma tontura absurda, procurei forças e me sentei na sala de esperar, respirei fundo, senti o clima pensado, comecei a ver tudo novamente, suando frio... Urrrrrrrrrrrr... Era uma sensação chata, me tranqüilizei, pois isso devia ter se dado dá má alimentação da ultima semana, tomei um copo da água, e falei pro meu irmão: - Cara vamo comer, por favor! – fomos comer no melhor ícone capitalista, diria que naquela situação seria a seguinte frase: o melhor do capitalismo para uns do melhores capitalistas, não sou o melhor, o melhor é o Bill, vocês conhecem não é? Cheguei no “Mequedonaldis” com uma fome etíope e pedi o “Bigui Teisti”, molho de churrasco, comi com força o “sanduba”, delicioso, voltei pra casa, tranquilo, sem dentes e sem pontos, podendo comer animalescamente.


*Esta foi uma das odisséias dos últimos meses, não a melhor, ou a maior, mais uma ótima de ser contada. Obrigado a quem leu e comentou.

Sunday, August 06, 2006

Camisa Azul e Camisa Verde: "Returns"

Acordo no dia 26 e o primeiro pensamento do dia é:
- Puta que pariu é hoje!
Levanto-me sem empolgação para o dia, naquela onda de desanimo, devia ser umas dez horas da manhã, estava indignado, mas naquela altura não adiantava seguir com esse pensamento, era tomar um banho pra acordar e sair do quarto. E tinha vontade de tomar banho? Nem um pouco. O calor incomodava, estava suado por conta do ventilador que tinha parado de funcionar, olhei para ele com vontade de chuta-lo, quebrar inteiro, minha barba coçava, tinha amanhecido da pior maneira possível com o pior pensamento possível, de que tudo estava ruim e que tudo ia ser pior. E logo de manhã conclui: hoje é um dia pra esquecer. Então sem disposição entro debaixo do chuveiro, fico parado deixando a água passar pelo meu corpo, só sentindo água fria da manhã, tentando esfriar a cabeça, queria mais me molhar do que tomar um banho de vergonha, sai do banheiro me enxuguei e fui até a cozinha comer algo para esperar o almoço, comi um pão com manteiga e suco de uva, fiquei sentado assistindo televisão, flertando os canais, nada que prestasse passava naquela hora, fiquei assistindo alguns desenhos para tirar o pensamento besta da cabeça, então dessa maneira(monótona) foi até a hora do almoço. O almoço estava divino, estava delicioso, não sei se por conta das mãos de minha mãe que tinha feito o almoço, ou por conta de passar a próxima semana sem comer direito, apenas comidas “pastosos”, como sorvete, sopa, iogurte, comidas frias de preferências. Comi até bem no almoço, não foi a minha refeição ideal, mas deu pra encher a pança. Depois do almoço resolvi deitar, cochilei um pouco, logo em seguida tirei alguns acordes do violão, e quando perto da hora de ir ao dentista, tomei dois comprimidos de antiinflamatório, prevenindo alguma futura inflamação por conta da extração.
Três e quarenta e cinco da tarde, hora de ir. Coloco uma bermuda preta, uma blusa azul e uma alpargata. Decidi ir bem confortável, afinal vão extrair dois dentes e tenho de ir arrumado ainda? Claro que não. Tinha acabado de me vestir quando minha mãe me chama para ir. Íamos de carro, o caminho não era breve, um tanto distante. Chegando lá a ansiedade transbordava, queria logo entrar no consultório e extrair o dente. Me sentei na sala de espera, como essa combinação, ansiedade e espera, não é boa, fui pegando uma revista, olhando as estrelas da televisão brasileira, namorando, mostrando seus corpinhos e rostinhos lindos, descobrindo quem namorava quem, com quem Dado Dolabela sai, aonde Angelita Feijó dançava, lendo sobre algum acontecimento “Roliudiano”, vendo mais uma vez a beleza da Carol Castro, até que quando começava esquecer da extração escuto uma voz: - Rodrigo? – levantei o braço mostrando a minha presença, e quando a assistente do dentista viu disse: - Pode entrar. – com um sorriso lindo. Levantei e falei: - É, vamos lá!
Entrei no consultório do dentista, que por fazer a manutenção de meus dentinhos já é considera um amigo, o Doutor Tarcisio, assim que vi ele falei:
- Tudo bem Doutor? – ele respondeu
- Tudo ótimo, e você? Como vão os dentes? - sorriu
- É, estão aqui, tortos. – ele sorriu e disse:
- Não se preocupe, hoje dois deles saem. Vai ser tranqüilo, não dói nada, é só você ficar deitado aqui, eu coloco a anestesia, tiro os dois dentes e pronto, tudo vai ficar tranqüilo.
Sorri e pensei, claro que não vai ser SÓ isso, vai ter muito mais. Então me deitei naquela cadeira do consultório dentário imaginando como vai ser essa extração, torcia para que tudo fosse rápido e não desse nada errado. Deitado no consultório, conversamos um pouco, perguntei sobre os filhos dele, se ele tinha viajado, ele perguntou como tava o curso, quando ia começar, se estava gostando, até ele pedir pra mim abrir a boca e ele aplicar a anestesia, aplicada, esperamos alguns minutos, até ele dizer: - Pronto, deve estar dormente.
Ali começava umas das horas da vida. Começou colocando uma espécie de alavanca na minha boca, o dentista a usava pra empurrar o dente pros lados, para dentro da boca, depois para fora da boca, e de uma maneira estranha sentia o dente mexer, mas sem dor alguma, era uma sensação engraçada, escutava o dente saindo, como se você puxasse algo bem colado. Depois de usar essa alavanca ele pegou um alicate, esse tinha um formato agressivo, não dá para explicar exatamente como, seu formato me fazia pensar: “Ele vai colocar isso na minha boca? Que brutalidade!”, ele colocou esse alicate na minha boca, pegou o dente e puxou, uma, duas, três, na quarta vez o dente foi embora, e escutei o infeliz “descolando” da minha mandíbula, um som como um “Grrraaaaaahhhhhhh!”, me impressionei com a velocidade que o dente saiu, acho que até mesmo o Doutor Tarcisio ficou impressionado, foi muito rápido, era o dente debaixo, ele tinha dito que talvez esse dente fosse difícil de sair, mas saiu tranqüilo. Colocou gases no local do dente, o sangue saia com vontade, pegou a linha e agulha, deu os pontos e perguntou:
- Tudo bem? – respondi:
- Tudo, foi rápido, só espero que minha mandíbula esteja no lugar. – fiquei imaginando se tinha saído mesmo, direcionei o olhar para a bandeja das ferramentas e vi o dente, aquele absurdo de dente, e vi aquilo que nos falam, de que a raiz do dente é bem maior do que ele. Respiramos um pouco até a anestesia do dente superior.
“Vamos lá?”, falou o Doutor Tarcisio com toda disposição. Sem outra escolha concordei com ele, então veio a outra anestesia, um pouco mais de dialogo até ficar dormente o dente. Depois da dormência veio novamente a alavanca, já que o debaixo foi tão rápido, imaginei que esse também fosse. A alavanca empurrava meu dente para um lado, depois para o outro, tinha a mesma sensação estranha, sentia e não sentia o dente “descolando”. Sai alavanca entra o alicate, e o dentista puxava, puxava, dava um trabalho absurdo, para o dente sai, puxava, puxava, escutando o dente “descolando”, o dente de cima estava dando trabalho, segurava a minha cabeça e mexia o alicate de um lado para o outro, numa briga épica, puxava com toda força o dente, era uma briga intensa, meu dente lutava para ficar, me dizia de alguma forma que sua vontade era ficar e trabalhar no processo digestivo do meu organismo, implorava por mais um tempo entre seus colegas de gengiva, depois de tanta discórdia comecei a escutar uma voz, bem baixinha, era ele se despedindo de cada colega, aos vizinhos molares deixava a função de atacante, a função de completar a jogada, de fazer a finalização, aos colegas de meia-boca, os pré-molares dizia para armar melhor as jogadas, trabalhar bem o meio campo, deixando bem mastigada a jogada, aos pontas, os caninos, dizia para fincar na comida, furar o mais fundo possível, ir com toda vontade e aos vizinhos mais distantes, os incisivos, dizia para não brincar, fazer a pegada forte, dar bem as mordidas, depois te todo o discurso e luta, viu que tinha que sair e não mais atrapalhar a posição dos outros, ficaria tudo melhor sem ele e então saiu, saiu feliz por deixar os outros confortáveis, com sua saída, o sangue jorrava, sai do buraco do colega extraído, e então foi colocada gases para estancar o sangramento, já que não se dar pontos no dente superior.
Depois de toda essa luta, começava outro processo, desconhecido. Doutor Tarcisio extraiu os dois dentes, e me falou que depois de um tempo ele iria arrancar os outros dois, e me disse:...

Saturday, August 05, 2006

Camisa Azul e Camisa verde: "Begins"

- Tá Marcado! – falou minha mãe. Sem entender do que se tratava perguntei:
- O que ta marcado? – ela falou:
- A extração do seus dentes meu filho.
O tremor nas pernas da juventude batera na minha porta, difícil é aquele que escapa dessa famosa experiência. Antes de ela ter me falado pensava na extração sim, mas era um pensamento distante, como se essa experiência fosse algo longe de mim, que não pudesse se torna minha realidade. Então pensei, mais cedo ou mais tarde vou ter que tira-los, todo mundo tira e sobrevive pra contar, apesar das historias sobre extração desses dentes que nascem com um propósito, nascem para serem tirados, ou seja, é um propósito desnecessário. As historias contadas sobre a extração desses não são boas, as vezes você chega para falar com um amigo que já tirou e diz: - Cara eu vou tirar os “cisos” - na mesma hora ele diz: - Égua! Chato demais! Talvez uma reação assim seja a mais educada, seja a mais superficial, pois a maioria reage com expressões faciais horríveis, de dor, de desgosto, de pura indignação com esses dentes.
Então com aquele pensamento pertinente, “ter que tirar os dentes é de lascar”, aquilo me atormentava, era como estar apaixonado e lembrar da amada a todo instante, dos seus lábios macios, sua pele lisa, aquele rosto a rosto, todo o toque intimo, o cheiro do pescoço, todo aquele carinho e amor passado entre os dois, MAASSS não era da sensação e sim da pertinência do pensamento, não posso cometer esse crime de comparar a extração de dentes com a pessoa amada, por favor, não pensem nisso, posso escrever mal, mas não farei isso.
E minhas férias assim foram passando, toda aquela alegria das férias, toda aquela liberdade, o shopping sem compromisso, aquele banho de mar necessário, aquele encontro com amigos, a saída com a talvez amada, conhecer um lugar não muito agradável, a desilusão no amor, e lá no alto, acima de tudo, o pensamento, o tormento, o inútil, o infeliz dente “ciso”, que aparecia sempre como um convidado desnecessário, como um penetra em todo momento de prazer, lógico, que ele não destruía o momento, ele apenas era um chato presente.
Passando o tempo e cada vez mais perto da extração, minha ansiedade tomava conta de tudo, o crescendo tomava conta de mim, não conseguia pensar mais em outra coisa, nem em música, nem em sopa, só na extração, e quando chega perto de algo você fica com dois desejos, um de chegar logo e tirar logo os dentes, acontecer de uma vez e pronto, e o outro de algo acontecer e você não precisar mais tira-los, e de fato, nem um nem outro acontecerá, pois o tempo não vai passar rápido e o que irá acontecer pra você não tirar os dentes? Difícil a resposta.
Finalmente Dia 26, acordo...

Thursday, August 03, 2006

Décima Postagem. = O Camisa 10

Perguntei e tive a respota, recebi um desafio, vamos ver se consigo ter sucesso nele.
Venho aqui explicar o por que desta postagem antes da extração dos dentes. Como o processo da extração foi grande, diria quase eternos, resolvi fazer 3(começo, meio e fim)postagens sobre a extração, as proximas três postagens serão só sobre a extração dos dentes. Se tornou uma historia ganhando nome e tudo mais, não imaginava isso.
Será <> "Camisa Azul e Camisa Verde". <> Obrigado.

Tuesday, July 25, 2006

Só pra Postar. SPC.

- Ein?!?
Foi a primeira reação sobre o texto, não entendi o que o individuo quis dizer, mas o mais provável de compreender era que ele não tinha entendido nada, mas por que? Escrevi tão mal assim? Não sei, melhor mostrar para outra pessoa.
Mostrei.
- Ahhhhhh... você falou sobre os filósofos numa bela metáfora, adorei seu texto.
Hum. Primeiro elogio, mas não falei sobre filósofos. Então melhor mostra a um terceiro.
Mostrei.
- Parabéns!
Esperei algum acréscimo, mas foi só isso mesmo que foi dito pela terceira pessoa. Devo mostrar a uma quarta? É... vou sim, está ficando divertido.
Mostrei.
- Nossa... que nojento! Você tem coragem de mostrar isso a mim? Não tem vergonha na cara? Olhe para mim. Sou uma dama, uma senhora de família. Você não tem respeito por ninguém. Idiota.
Acho que mostrei o texto errado, era errado mesmo. (risos). É como falei, está divertido, a reação da senhora, foi ótima. Não pedi desculpas, pois sair correndo, ia levar uma sova do pessoal ao meu redor. Mostra a uma quinta? É, não custa nada.
O mostrei pela quinta e ultima vez.
- Hum? Perdoe, estou sem trocado.
Estou mal vestido então.
Com essa odisséia que passei, decidi apagar o texto, realmente era ruim, ou quem sabe estava mostrando as pessoas erradas, não importa mais. Já era! Ou "jaé" como diz o carioca.

*Churrasco de Domingo.
Andando pela rua, um individuo gritou:
“EI, ESCRITOR DO EPIZONA!!”
Respondi:
“SOCORRO!!! SOCORRO!!!”
Devia ser uma agressor.

*Pergunto:
Amanhã, dia 26, às 16h, vou arrancar meus dentes(cisos).
Devo escrever sobre a extração deles?

Saturday, July 01, 2006

Este clona o título.

Continua a mudança do ser, nunca parada, sempre constante, ou inconstante. Mudanças que são como revolta, mudanças que vem de pouquinho em pouquinho, mudando o ser, o transformando em algo desconhecido, em uma interrogação, interrogação que vem crescendo e tomando de conta dessa.

*Em contrução.

Friday, June 23, 2006

Brasileiro: Idiota como nunca. Por um brasileiro.

- Eu odeio o brasileiro! Odeio o motorista brasileiro que dirige mal, que quer passar por cima do outro numa avenida, estrada, ou ruazinha, esta ultima tão apertada que não cabe 2 carros emparelhados... Odeio o pedestre brasileiro, que insiste em andar no meio da rua, achando que mais cedo ou mais tarde um carro NÃO irá passar por cima dele... Odeio o caminhoneiro brasileiro, que por anda por esse Brasilzão a dentro, se acha O dono da estrada... Odeio o torcedor brasileiro, que acha que sabe mais do que o técnico da seleção brasileira... Odeio o jogador brasileiro que atua no Brasil, que acha que por ter um dos números(1 a 11), nas costas se senti o craque da bola... Odeio o narrador brasileiro, que tem uma bela voz, boa entonação, mas na hora de pôr a cabeça pra pensar, o máximo que consegue é falar uma porção recheada de estrumo... Odeio o músico pop brasileiro, que por vender 25mil cópias de sua chamada “obra de arte”, acha que é muita merda... Odeio o eleitor brasileiro, esse com total certeza é o pior de todos, que acha que está revolucionando o país com seu voto, que acha que vai por O Político no cargo de presidente... Odeio o sistema judiciário brasileiro, não falarei sobre... Odeio o pedreiro brasileiro... Hummmm, talvez esteja exagerando...

- Que é isso companheiro? Agente dá aquele jeitnho brasileiro nisso, beleza?

- (risos) nunca tive tanta raiva do brasileiro.

**Eu, Rodrigo, só fiz a pergunta do texto. Pisco um olho e dou um sorriso sarcástico a todos.

Wednesday, June 14, 2006

Alguém que não foi embora.

Não acredito!!! Que de todas as imagens do mundo, a minha ultima seria esta, um revolver entrando na minha boca, o que vejo é, o tambor, minha mão no gatilho e a televisão ligada, passando algo, como sempre desnecessário. Esta ultima imagem me fez refletir, talvez pela ultima vez, esta sendo minha ultima imagem do mundo em que tentei viver. Ele pode ser considerado um lugar tão maravilhoso, pelo menos por mim, ahhhh eu tentei ver beleza aqui, não consegui, ninguém dividiu o sofrimento, fiquei agüentando durante anos o sofrimento, não consegui achar ninguém que fizesse isso ir embora, foi tudo muito... Foi como viver sem vida, não dá pra explicar, o que posso dizer é que o estilo da vida que vivi, mostrou o fim dela.
Para quem por acaso chegar a ver esta carta, tente entender, que aqui foi um ser humano, um homo sapiens, que tentou tudo para continuar aqui, espero que não se abale, apesar da imagem que ver, entre outras que verá no mundo, não seja a mais bela, a não ser que seja um... Desculpe a palavra, doente. Certeza se perguntará por que um homem se mata no mundo hoje, ou por que apenas o faz, recomendo que se pergunte o contrario, como alguém pode viver nesse mundo, não balance a cabeça, por favor, queria que respeitasse o meu direito, não sei o tenho, nunca fui bom aluno mesmo, de qualquer forma, se a morte é uma viagem, eu fui no balcão comprar, me desculpem.
Ahhhh mais outra coisa que este cadáver chato que vê na sua frente pede, não se preocupe, pois tudo que vê ao meu redor, pode ser doado, roubado, ou qualquer outra forma de não pertencer mais a mim, claro estou morto, apenas ligue para o número do rabecão, já que não tenho condições de chamá-lo, que eles vão saber o que fazer, ou seja todo o procedimento de “encomendar” um individuo.

A quem fica desejo uma Boa Sorte, de todo o coração... Inclusive eu.

Thursday, June 01, 2006

Um(idiota) com outro

**[Por que resolvi por parágrafos]

Eu: Hey... presta atenção aqui numa coisa que já sabia, mas nunca mais tinha lembrado, hoje pelo que aconteceu, aconteceu muita coisa, mas nada de importante que vá marcar a minha vida, foi somente o que aconteceu, tipo acordar, levantar, tomar uma banho, enfim a velha rotina, entendi? E desde cedo, depois de ter acordado de um susto, fiquei percebendo o que já sabia, ou o que não sabia, enfim tive a revelação de sempre, que eu não sei de nada, “como assim não sei de nada?”, pensei. Ora, é simples de responder, eu posso me fazer mil perguntas e talvez eu mesmo não saiba responder, nem fazer idéia do que estou falando, são perguntas fáceis de serem elaboradas, como “por que o céu é azul?”, não é?, mas você pode estar falando ai agora, “ahhhhhhhhhhh assim não vale, ninguém sabe disso...”, claro que sim, tem muita gente que sabe, tem mais de 1milhão de cientistas no mundo(inventei esse número), creio que muitos deles sabem o por que do céu ser azul, você não acha? Pois é, ou também alguem pode me perguntar sobre como fazer um celular, eu com simplicidade direi, “não faço a mínima idéia.”, é difícil. As vezes chega a seguinte idéia na cabeça de qualquer individuo, “eu sei muita coisa, ainda bem.” Por lado é bom, mas a ignorância é linda demais...
Outro falando: oushhhee...
Eu: Tem gente por ai dizendo que a China nunca foi socialista, (risos).
Outro falando:Ta vendo como você sabe.
Eu: È nessa questão, sim, mas em milhões de outras não, tem vários exemplos que posso mostrar o quanto não sei de nada,
Outro falando: que é isso rapaz?
Eu: Não entendo mesmo, é fato.
Outra falando: Olha eu acho que você ta se enganando aê, rapaz, você sabe muito, é um jovem de potencial, não... não... não... nem faça essa cara, você sabe muito rapaz, claro que não, não tou querendo levantar ninguém, isso é que o fato, você sabe... você ta me escutando jovem? É bom mesmo você escutar, pois se não estiver, você realmente não sabe nada, estou apenas querendo lhe dar uns conselhos, escute com os ouvidos bem abertos, sou seu amigo, colega, estou querendo lhe fazer bem, você tá entedendo?
Eu: Você realmente não prestou atenção, vou derrubar todo o teu falatório com uma pergunta simples, que foi com ela que tudo começou, ok?
Outro falando: Ok, fala sabichão...
Eu: Pra que saber de tudo?
Outro: HEY intelectuais, que vocês conversam a horas ai?
Outro falando, apenas calado pensando, escutando a pergunta do outro, e pensando calado, como eu tinha passado o dia, ficou pensando, pensando, e falou: - Realmente você sabe muito.
Eu apenas balancei a cabeça negativamente.

Monday, May 22, 2006

Medo

“Eu aposto que você não consegue!”

Uma afirmativa. Imagine o medo imposto por estas palavras. Poucas palavras que podem nos derrubar, uma vez escutada você sempre lembrará delas, não importa o envolvimento, o que importa é o significado que elas impõem... são apenas palavra de um ponto de vista, de um ponto de vista, porém através de outros, quando juntas, você tem um belo peso para a não realização, palavras que por serem tão, mas tão inofensivas separadas, exigirão imensos esforços contra seus significados, faça uma imagem disso... imagine seus pensamentos no momento da escuta desta, quase que uma ofensa, imagine sua respiração, seus batimentos cardíacos, imagine os outros momentos de duvidas já passados por você, imagine o seu dilema, de conseguir ou não, de tentar, imagine seu resultado, imagine todos os momentos de glorias já realizados por você, dos momentos que o brilho das cores daqueles foram levados a pirotecnia delas, dos momentos em que sua garganta deparada com um nó cego, que lagrimas vieram a descer ao longo de seu rosto, ao longo de sua face, com o imenso sentimento de alegria, com aquela euforia, aquela “não saber que fazer” que passamos, nos faz saber o quanto a vida tem sim seus momentos impagáveis e sim, inimagináveis, inexplicáveis, uma serie de momentos que deixamos nosso pequeno e oculto “eu” escapar através de nosso corpo.

Se dizem que o oposto da vida é a morte, diria, assim como Danuza Leão, que é o medo.

Saturday, April 29, 2006

Preto no branco tudo que via...

Estava andando, sozinho, olhando ao meu redor sentindo cada passo pesado, sentindo o peso nos meus ombros, me perguntava sobre este peso que carregava, esta ancora que carregava para cima e para baixo com toda inocência, carregava e me perguntava se era certo andar com esse peso que me cansava a cada passo, se era ao menos uma fraqueza minha, e sempre ficava aquele pequeno ar de que nada ia dar certo, que minha fraqueza era maior do que eu, que o peso que carregava era uma obrigação, ficava angustiado, ficava chateado, ficava com aquela sensação misturada, entre calor, suor, chateação e a maior de todas naquele momento, derrota, era o pior sentimento que já havia sentido, era tanta coisa que rodeava minha cabeça, e nada que pudesse me animar, nada que pudesse me mostrar animação, nenhum sorriso para dividir, era como se estivesse preso, preso dentro de mim, com vários companheiro indesejáveis, e ao mesmo tempo me deparava só... chegou um momento que não sabia mais o que fazer, não sabia, me perguntava sobre mim., sobre que fazer, e deduzi que mais um companheiro chegava para dividir espaço na minha cabeça, dentro de mim, era tanta coisa... tentava respirava, tentava andar, tentava, tentava... tentava... pensava, respirava... imaginava... chorava... tentava me secar do suor do ressentimento... tentava... de tudo... por que não podia simplesmente admitir meu fim, seria ele, não, não... não seria... a ressurreição desse sentimento era com uma mentira escrita na minha consciência... era tudo mentira... como faço... que faço... que devo.... que não devo... sentia o desabrochar desses companheiros indesejáveis... sentia um infinidade... sentia meu corpo ser algo mais do que somente eu... sentia a energia me circulando como uma dissonância, me circulando, me cercando, me prendendo, me deixando surdo de tudo que mais importa... me deixando de fora me desrespeitando... até que escutei um grito... um grito que veio de fora para dentro de mim... um grito que atravessou minhas linhas físicas... senti esse grito dentro dos meu ossos... lá dentro... mexendo comigo... após o grito fiquei apenas com o silencio, nenhum companheiro mais ali, ninguém para dividir espaço, apenas a calmaria... apenas um brilho...no meio da escuridão... mas não era um brilho forte, era uma pequena luz que mexia comigo, que me deixou concentrado nela, que me intrigou, que me vez mais uma vez sentir que eu não era só um, era mais do que mente, corpo e alma, que eu era um continuação de tudo existente, era uma sensação inexplicável... escutava e não escutava, via e não via, sentia a temperatura e não a sentia, não sabia se realmente estava lá mesmo, se tinha ido para outro lugar, talvez aonde ninguém estivesse ido, então fui me levantando leve, me sentia sem pesos adjacentes, não sentia mais culpa, não sentia mais agulhas entrando em meu corpo, não sentia mais rancor, então vi que aquela ancora que carregava com inocência foi tirada de meus ombros, coloca no lugar mais simples de todos, o chão, então com esse simples gesto vi o quanto era insignificante aquilo que tinha sentido, essas pequenas agulhas, porém várias, me fizeram ver que a vida precisa de cicatrizes, preciso de erros, para nos tornamos energia e em algo mais que não sabemos, apenas sai de mim, sai por um satisfatório momento, sai de meio corpo e vi uma imagem que falou e me explicou, talvez o que nunca entendesse o que tinha passado... a imagem era um lugar escuro com um pequeno feixe de luz, ele era suficiente para mim, me vi saindo da escuridão e entrando na claridade, na pequena claridade que buscava. E só então escutei...

“A culpa é um saco de tijolos, por que tenta o carregar?”

Sem palavras, fiquei calado, aceitando a dor de minha reflexão.

Friday, April 14, 2006

Esses.

Esses.

Falo com toda indignação sobre indivíduos que não sabem o que são e acham que são algo, e isso que acham que são, é algo super diferente, dizendo... “não, eu não sou assim...”, altamente e insuportavelmente hipócrita, quando escuto isso fico a pensar sobre esses indivíduos que dividem espaço comigo, esses não sabem de nada, e ficam falando por ai, espalhando com toda vontade de deixar explicito o que odeiam, e o que acham que conhecem, aquilo que odeiam são a si mesmas, é ridículo, falo isso como um desabafo, sei que esses novatos, que acham que são veteranos, nunca vão mudar, nunca, isso eu sei, mas sabendo disso é que vem a razão de meu desabafo, o que uma pessoa dessa quer, falando de futilidades, falando de coisas que não valem nada, de inúmeras coisas que não tem a mínima importância pra seu ninguém, é bom e interessante que essas pessoas que não passam de copias das copias ridículas de gente que não vale nada, fiquem exatamente aonde estão, que não mudem seu discurso, porque simplesmente essas “personalidades” precisam existir para provar o contrario delas, é bom você poder olhar o negativo da foto, e também é ao mesmo tempo revoltante e gratificante, e saber diferenciar esses.

Tuesday, April 11, 2006

Dizem que são as boas lembranças que ficam... Dizem que os melhores ventos são o de julho e agosto... Dizem que tudo tem seu tempo... Dizem que a vida é justa... Dizem que todo homem tem sua mulher... Dizem até que nada é impossível... Dizem e falam sobre todos os sentimentos que o homem tem, falam sobre tudo, dão razões a todo tipo de sentimento, para tristeza, se da apoio que é sempre bem recebido, para a alegria se da o melhor sorriso, sorriso que transparece todo o sentimento, para a raiva tenta se dar a paciência, que neste tão incontrolável sentimento, se dar ao ridículo luxo de dispensa-la...