Wednesday, February 29, 2012

1985


Na AM da FundaçãoMatusalém: Sade - Hang Out to Your Love

06.09.2002


"O K ou Ú Ká" - grafite

O espanto em sua face era evidente. 
Olhos arregalados e boca aberta. 
Falou após alguns minutos e o que você disse eu não lembro.

24.09.2002


"O Construtivismo" - grafite

"Raul, tem dias que concordo com você com todo o meu coração! Pare o Mundo que eu quero descer. Se não for chato, na próxima parada, viu trocador?". - afirma Mazé alcoolizado dentro da Linha Urbana de Onibus Messejana/Papicu. 

24.07.2002


"O Céu na Casa de Leão" - grafite

Quem é Leão Cavalcanti? Por onde anda? Alguém o conhece ou até mesmo o viu?

Monday, February 27, 2012

O Livro Vermelho de Leão Cavalcanti


"Até onde vai uma página?" devia ser a última linha.

"O universo todo é uma música. Todos somos instrumentos e cada um devia estar tocando a sua parte". (Sun Ra)

Thursday, February 23, 2012

Três Dias em Minha Vida ou Como Descobri que Estava sendo Censurado

Algum lugar da grande Messejana, Fortaleza, Ceará. 15 de Abril de 1985.
   Eu acordei hoje de um sonho muito estranho, ou melhor, surpreendente. Foi um pulo, um impulso para fora de mim. Acordei olhando para o chão, imaginando o pior: Uma queda escrota da cama ao acordar. No sonho havia feito a descoberta da minha vida. Descobri através de uma investigação policial que eu estava sendo censurado.
   A investigação policial começou a ser feita quando meu cachorro, Silas, foi atropelado perversamente pelo filho do vizinho. Chaguinha, filho do Coronel Lopes, tirou carteira e sua maior diversão parece ser caçar qualquer ser vivo na calçada ou fora dela. Dizem até que na cidade existe um campanha chamada "Pedestre Vivo". Afinal, é absurdo, um crime permitir que o pedestre passe perto do asfalto. Pedestre bom, é pedestre... Vivo! Não mate o pedestre, por favor!
   Porém, Chaguinha do alto de sua cabine do seu carro de luxo olha para um sanfoneiro na rua e pensa: "Será que papai tira dinheiro desse maconheiro safado ein?! Ahhh, Essa papai não sabe!". Então, Chaguinha decide conversar com o pai sobre essa ideia, chegando em casa...{ Sig. de "Casa"; 1.local onde se habita, 2.edifício de habitação.} Não é exatamente esse o significado da habitação de Chaguinha. É algo diferente, luxuoso e cheiroso. E lá encontra com seu papai que tem o mesmo hábito, caçar pedestres. 
   Seu papai escuta o que o filho tem dizer. Seu coração bate forte de orgulho. As lágrimas descem pela sua camisa de botão azul clara, aquele azul bebê ou azul caixão de anjo. A emoção toma conta dos dois e um abraço. Um abraço nunca dado antes, um abraço de "Seja bem-vindo meu filho, esta é sua função". Qual é a função de Chaguinha? O que Chaguinha tem para o mundo? Ou melhor, o que o mundo tem a dar para Chaguinha? 
   O que fazer diante de imbecis autorizados a matar como este Chaguinha?
   Nada, afinal este é meu último texto neste jornal.
   Silas não morreu, eu continuo empregado, Chaguinha foi preso e seu pai condenado. Estas são apenas mentiras do dia a dia, ironia. Não rima. E lá em cima, no título do texto, eu explico tudo.


*Texto retirado do jornal "Messejana Comunista". E é como realmente está no título, Ramos de Oliveira foi mandando embora do jornal "O Messejanense" por conta do artigo "O Locador de Bilhar e Nova Messejana". Segundo a direção do jornal, Ramos havia se excedido em seu questionamentos. Este é o texto de estreia em seu novo emprego, feito no dia da demissão. 

Friday, February 17, 2012

Pedrola, irmão de Mazé, virou piada em Messejana.

Ou como Mazé se revelou no maior filho da puta de todos os tempos.

- Olha, não vou poupar você! Ele chamou você de fela da puta, baitola, papangu e corno. E mais, disse que comeu sua mulher três vezes. - afirmou Mazé para Pedrola seu irmão.
- Bicho, você sabe que o Chico da Marta não vale nada! Lembra do que aconteceu com ele mês passado? Ele tá incapacitado!
Pedrola dúvida do irmão e acredita na incapacidade inexistente de Chico da Marta e sorrindo estoura a boca do balão: - E quer saber Mazé? O Chico da Marta é um brocha! Não come ninguém! A irmã da minha Deusinha namorou ele e revelou segredos do 'filho (FÍ) da Marta'. - Mazé ouve aquilo, pensa e silencia. Seu pensamento era violento demais para os ouvidos de Pedrola.

Alguns meses depois, Pedrola perde o emprego, perde sua Deusinha e conhece todos os bares de Messejana. Fama que acaba com a honra de qualquer ser vivo. Pedrola ficou conhecido simplesmente como "O Corno". Não era somente "Corno", era sempre acompanhado do artigo "O". Então, por onde passava alguém comentava baixinho entre os amigos. "Aquele lá ó, tá vendo? É 'Ocorno' da Deusinha". Às vezes, claro, alguém gritava sem dó, nem compaixão: "Fala o seu 'Ocorno!". Era realmente difícil.

 O que Pedrola não sabia era que seu incomodo apelido tinha sido dado por seu amado irmão Mazé. E mais uma vez, Mazé, era esculhambados por todos. Mais uma vez ele era o messejanense mais odiado. Era chamado de "Fela da Puta", de "escroto" e de vários outros nomes impublicáveis. Porém, isso era fama antiga do irmão de Pedrola.

Então, um belo dia Pedrola chama Mazé para um de 'seus' bares e começa a falar do sofrimento que enfrenta, desabafa por horas, por cervejas e por to-da-a-no-i-te. Já amanhecendo, a experiência em ser ruim se revela novamente. A mente quase criminosa de Mazé imagina: "Rapaz, eu devia falar agora pra ele que quem deu esse apelido de 'Ocorno' pra ele fui eu, num é?". Oura, em milésimos de segundos ele confessa tudo para o irmão:
- Pedrola, cara... Tenho que te falar uma coisa? - Pedrola embriagadissimo responde amorosamente.
- Mazé, você é O cara desse bairro. Você pode falar tudo, me conte! - Neste momento a maldade de Mazé sorri e ele diz:
- Pedrola, fui eu cara. Fui eu que coloquei esse apelido em você... Eu não queria mesmo, sabe irmão Foi a minha língua, pensei na hora, no calor da brincadeira entre os amigos. Nunca quis frescar com você! Longe de mim!

Pedrola ouve e pensa em tudo que teve que enfrentar, em todas as hmilhações, nos lugares por onde passou e foi recebido como O Legitimo Corno do bairro, só então Pedrola concebe todo o sofrimento e cai em um choro de séculos, talvez engasgado por tudo que vem acontecendo. E Mazé ali na frente do irmão, comovido o abraça fraternalmente e pensa mais uma vez em silêncio: "Égua, Pedrola além de corno é chorão".

*História da série inédita e desconhecida do público brasileiro. Já no maior bairro do Mundo é diferente. 

Saturday, February 11, 2012

Thursday, February 09, 2012

O Locador de Bilhar e Nova Messejana

        Messejana, Fortaleza, Ceará. 12 de Abril de 1985. 
  Hoje, me apresento novamente a todos vocês. Meu nome é Ramos de Oliveira e sou responsável por esta coluna dominical que tem o objetivo de entreter, divertir e informar com consciência os aspectos mais interessantes e incomuns da nossa Grande Messejana. Porém, hoje me considero completamente incapaz, ultrapassado, longe de realizar esta função. Por isso, me reapresento como um iniciante desta tarefa. Tudo isso por conta de um homem que mudou a cara, o esporte, a diversão, a cultura, e por que não as relações sociais de Messejana e, em breve, o mundo. João Francisco do Nascimento é o presidente e sócio majoritário da empresa "Bilhar & Cia de Mesas de Sinuca Messejana". Para os messejanenses, quem não joga sinuca ou bilhar é chamado de 'estrangeiro', "Todo menino aqui joga sinuca, e da boa! Pode chamar qualquer menino aí pra jogar. Vai levar capote na certa!" fala a mãe de João, a dona Maria Gardênia do Nascimento ou Dona Gagá que usa como bengala o primeiro taco de sinuca feito pelo filho.
  A paixão pelas mesas vem do pai, Francisco do Nascimento, aprendeu a arte de construir mesas de sinuca em um concurso realizado pela Prefeiturinha de Messejana com o intuito de criar novos talentos. O concurso oferecia bolsas de estudo para jovens marceneiros em diferentes cidades do mundo, Paris, Pequim, Edinburgo, Cairo, Buenos Aires e Chicago. Cada cidade com uma oficina diferente, por exemplo, na China existe o costume de utilizar a madeira do Bambu em construções civis. Ou seja, o jovem messejanense que fosse o merecedor da bolsa de estudos iria estudar madeira relacionada a engenharia civil. Já o jovem que fosse pra Buenos Aires iria estudar as artes da luthieria, aprender a fabricar os melhores violões para Tango. Os candidatos e futuros marceneiros foram avaliadas através de uma redação com o seguinte tema: "Por que quero trabalhar com madeira?", cada jovem disputaria vaga com outros concorrentes de cada curso. Dentre os cursos, havia uma sessão com pouco destaque no panfleto que acabara de receber o jovem Francisco ao sair da Escola de Ensino Médio Paulo Benevides em Messejana. Os olhos miraram de primeira e a paixão foi iminente: "Faça a diversão de sua família e de seus amigos fazendo mesas de bilhar". Aquilo foi como uma revelação, como uma dádiva vinda dos céus. "Essa é minha vocação, ela me chamou!" disse em voz alta. 
  Meses depois, Francisco estaria embarcando para Escócia onde passaria os próximos meses confinado e estudando toda a arte das mesas de sinuca e bilhar. Na verdade, ele foi o único jovem que mandou sua justificava para esta categoria. Porém, o responsável pela correção de sua prova disse: "A escrita do garoto era maravilhosa. Me convenceu tirando lágrimas do meu coração". No terra do Whisky, ele conheceu o Harold McDowell, um marceneiro já aposentado que dava aulas de como trabalhar e utilizar a madeira. "As lições do velho Harold era para vida e não para a madeira". afirmou Francisco no primeiro momento em que citei o nome de seu mestre. "No meses que estive lá, aprendi muito. Sou o que sou, por conta do velho. Era escroto, nojento, malvado, mas um Mestre com M maiúsculo. E outra coisa, o Whisky também. Descia como mel, embriagava como o cão". Para todos que conheceram Harold, apesar da personalidade díficil, era humano em sua essência. 
  "Quando voltei da Escócia foi uma festa enorme aqui em Messejana... Bebi taaanta cachaça, mas tanta, que naquele dia mesmo fiz a primeira mesa de sinuca e bilhar. E batizei a bicha de 'cachacinha'. Essa é sucesso!" falava seu Francisco ao lembrar das histórias de um "jovem aventureiro" como ele mesmo se autointitula. Hoje, 'o chefe' como era conhecido entre seus companheiros de oficina, não trabalha mais na parte produtiva da empresa. "O responsável é o Joãozim. Ele quem manda em tudo. Desde menino, ensino tudo que aprendi lá na Escócia. Ô canto frio... Mas, aprendi muito lá. A madeira lá fica dura como pedra... Oura, no frio, né?! Então, você aprendi a usar o fogo na madeira. Ela fica mais molinha, então, dá pra fazer o trato nela". Essa é uma técnica esquecida no mundo ocidental, sem sucesso entre os empresários e industriais. A questão climática impôs uma maneira diferente de explorar a madeira. "Por isso, minhas mesas tem essas decorações. Aqui, agente faz o desenho que você quiser. Seu rosto, rosto do menino, flor, bola, um número, o que quiser. É só pedir!" No momento da entrevista, a empresa iria realizar uma entrega na ala de traumatologia do Hospital Distrital Gonzaga Mota de Messejana (Ou melhor, Gonzaguinha da Messejana, a mesa era do tipo 'cachacinha' com a decoração inspirada na obra Iracema de José de Alencar e com rádio AM/FM embutido. "Essa é uma doação minha. Pensei: O pessoal do hospital precisa de diversão. Aí pensei: Vou mandar uma 'cachacinha' pra eles." e caiu na gargalhada. 
  "O Joãozim sempre foi habilidoso. Aprendi rápido o trabalho com mão, quando eu ia mexer nas madeiras era batata ele tá ali do lado. Daqui a pouco, quando via o menino tinha feito um carrim, um avião, um boneco, qualquer coisa. Aí pensei: Esse menino vai trabalhar com madeira! E gostava mesmo, até hoje, né?!". João é o homem de maior influência no bairro, é apontado pela Revista Messejana Politica como o maior cabo eleitoral de qualquer candidato a prefeito da cidade de Fortaleza. Há dúvidas quanto a isso, porém, não podemos negar a importância política de João. Em um artigo publicado pelo jornal A Lagoa, ele é conhecido entre os políticos e poderosos como 'O Locador de Bilhar: O Homem". Para vereadores, deputados estaduais e um ex-prefeito, quem tem João Francisco do lado, tem tudo. 
  Em uma entrevista com o ex-preifeitinho de Messejana Ari Cavalcante, que analisa os tempos de hoje como o momentos mais triste da política: "É o poder! Tá no dinheiro, então, o home tem a séda. Como disse e vou morrer dizendo, Dinheiro é Poder. Não tem jeito". afirma decepcionado do seu escritório na Avenida Pe. Pedro de Alencar. É aqui que vejo o choque de duas 'Messejanas', uma onde o comunitário era o espirito naturalmente imperante, e outra, onde o pequenos e futuros messejanenses não sabem nem onde e nem quem embelezava as águas desta lagoa abandonada. Talvez, o xamânico Segredo de Jurema guardado pela nossa índia Iracema tenha permitido aos nossos ancestrais ver o que ninguém consegue ver hoje, uma lagoa abandonada. 
  Carinhosamente de um humilde morador do maior bairro do mundo,  
  Ramos de Oliveira

*Observação: Texto retirado do jornal "O Messejanense" que durou quase dois séculos. Em breve, coloco o texto de comemoração do primeiro ducentésimo escrito pelo humorista 'João Minhas, Que as Suas Eu não Levo'. /music non stop!/

Tuesday, February 07, 2012

Suprematismo Messejanense

Não lembro de você porque não te esqueço. - nanquim, aquarela e caneta bic